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05/10/2009
O novo do Muse
Leia a resenha sobre o novo disco da banda.
Por Agência Drop Music
 
Depois de lançar Black Holes and Celebration, um dos melhores discos da década, o Muse tem a difícil tarefa de se manter no topo do pop mundial. E o primeiro passo já foi dado, The Resistance alcançou o primeiro posto nas paradas de pelo menos 13 países

Mas isso não quer dizer absolutamente nada. Vender bem, no mundo da música, nunca foi sinônimo de boa qualidade. Antes que alguém me xingue, o novo disco do Muse é bom, muito melhor que a maioria dos lançamentos feitas este ano, mas é bem inferior a Black Holes and Celebration.

O clima épico do disco de 2007 continua, basta ouvir Uprising, com seu riff chupado da série Dr. Who?, Guiding Light, mas que deixam a impressão de serem sobras de estúdio. Outro problema, o Muse, ao tentar fugir dessa cara mais “Queen” acaba por soar como o Killers, em Resistance, e como uma bandinha qualquer de música eletrônica da década de 80 em Undisclosed Desires.

Tudo bem, todos já sabiam que o disco seria assim, afinal, a banda foi liberando trechos das canções durante um bom tempo. Da mesma forma, o tema que permeia o trabalho: conspirações, união e amor, também já é tradicional no trabalho do Muse. Talvez por isso, quando lembramos da perfeição de Black Holes... fiquemos um tanto frustrados com o resultado de The Resitance. Mas não adianta reclamar, Matt Belamy realmente queria ser Freddie Mercury.

Assim como aconteceu em Black Holes..., o novo disco do Muse tem grande influência da “Rainha”. Os tons operísticos, que tomam conta de United States of Eurasia e Collateral Damage e são o motivo principal da criação de Exogenesis, e suas três partes, já fazem parte do trabalho do Muse, mas desta vez houve um certo exagero.

A busca pelo elo perdido, que ligaria o Queen ao nascimento do Muse, continua em Guiding Light, com guitarras que poderiam ter sido criadas por Brian May. Já em Unnatural Selection, o trio mostra o quão enfadonha pode ser a tarefa de se reinventar a cada disco e não conseguir, talvez se tivesse três minutos a menos a sensação seria diferente, assim como acontece em outras canções do álbum

Apenas quando o Muse tenta quer ser Muse a banda acerta a mão. MK Ultra e I Belong to You são dois dos momentos mais inspirados de The Resistance, exatamente pela banda saber dosar sua megalomania com as aspirações progressivas. E é exatamente essa tentativa desenfreada em fazer algo grandioso que faz com a banda perca o rumo. Em Black Holes and Revelations, o Muse teve tato suficiente para saber o momento certo de parar. Isso não aconteceu agora.

Álbum: Muse - The Resistance
Gravadora: Warner
Ano: 2009


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